4×100 m masculino está credenciado para lutar pelo pódio olímpico

27 d maio d 2020 às 1:14 pm

Campeão do Mundial de Revezamentos de Yokohama e dos Jogos Pan-Americanos de Lima, o grupo assegurou qualificação para os Jogos de Tóquio com o brilhante quarto lugar obtido no Mundial de Doha – todas as competições realizadas em 2019

O treinador e os cinco velocistas (Wagner Carmo/CBAt)

Credenciada pelo inédito título de campeã do Mundial de Revezamentos, conquistado em maio de 2019, em Yokohama, no Japão, a equipe masculina do revezamento 4×100 m surge naturalmente como candidata ao pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021. O quarteto brasileiro assegurou a qualificação no Campeonato Mundial de Doha, no Catar, em outubro, quando terminou em quarto lugar, com novo recorde sul-americano (37.72).

Por causa da pandemia de COVID-19, do isolamento social, do adiamento e cancelamento de inúmeras competições no Brasil e em todo o mundo, o planejamento do treinamento do grupo está em suspenso. “Devido às circunstâncias, ainda não temos definições da Confederação Brasileira de Atletismo e do Comitê Olímpico do Brasil sobre nova programação”, disse o técnico Felipe de Siqueira, que orientou a equipe nos Mundiais e na conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima-2019.

Em Yokohama e em Lima, o grupo teve Rodrigo Nascimento, Jorge Vides, Derick Souza e Paulo André Camilo de Oliveira. Já em Doha, Vitor Hugo dos Santos substituiu Jorge Vides. “Temos um time jovem e as boas atuações de 2019 servem para dar mais confiança ainda ao grupo para os Jogos de Tóquio e de Paris-2024”, observou Felipe.

Os velocistas estão treinando como podem, seguindo as orientações de seus técnicos pessoais. Paulo André Camilo de Oliveira (Pinheiros-SP) e Rodrigo Nascimento (ADPA-MA), por exemplo, estão tendo boas condições de preparação. Paulo André treina quase normalmente na Vila Olímpica de Vila Velha (ES), com o pai e técnico Carlos José Camilo.

“O Brasil tem um grupo muito bom de velocistas e com grande potencial. O objetivo é cada um melhorar individualmente. O resultado do revezamento será consequência”, comentou Paulo André, de 21 anos.

Já Rodrigo, de 25 anos, deixou São Paulo e voltou para Itajaí (SC), cidade em que nasceu, aproveitando a flexibilização da quarentena no município. “Antes só podia ficar em casa, mas agora temos autorização para frequentar a pista pública, em que normalmente as pessoas fazem caminhada. Procuro ir lá entre 11 e 14 horas, quando está mais vazia. Tomo todos os cuidados para a proteção de minha saúde e da minha família”, disse o velocista, treinado por Victor Fernandes.

“Se o Rodrigo está podendo fazer quase tudo em Itajaí, o mesmo não acontece com o Vitor Hugo, que encontra muitas dificuldades em São Paulo”, disse Victor, referindo-se ao velocista carioca Vitor Hugo dos Santos. “Ele não conseguiu alugar equipamentos de musculação e tem improvisado tudo em casa. Isso é complicado porque há essa diferença de preparação entre os atletas”, completou o treinador.

Felipe de Siqueira também sofre com limitações para seus dois atletas do revezamento: Derick e Jorge Vides (ambos do Pinheiros). “Estamos treinando de improviso, tanto o Derick quanto o Jorge estão fazendo atividades alternativas dentro de casa e duas vezes por semana, em horários alternativos, fazem treinos moderados na rua. Estamos evitando ao máximo sair de casa para que a curva da pandemia comece a baixar. Eles são pessoas públicas e formadoras de opinião, têm que dar o exemplo. A única vacina para a COVID por enquanto é o isolamento social”, afirmou.

A qualificação olímpica foi conquistada no Estádio Internacional Khalifa, no Mundial de Doha, onde o Brasil perdeu uma medalha por pouco. A equipe obteve o quarto lugar e o melhor resultado da história do revezamento 4×100 m, com 37.72, quebrando o recorde sul-americano, registrado havia 19 anos na conquista da medalha de prata na Olimpíada de Sydney-2000, com o grupo que tinha Vicente Lenilson, Edson Luciano Ribeiro, André Domingos, Claudinei Quirino e Claudio Roberto Sousa.

A medalha de ouro em Doha ficou com os Estados Unidos, com 37.10, o melhor tempo de 2019 e a segunda melhor marca do mundo de todos os tempos depois dos 36.84 da Jamaica de Usain Bolt, nos Jogos de Londres-2012. A prata ficou com a Grã-Bretanha (37.36) e o bronze com o Japão (34.43), novos recordes europeu e asiático.

A Caixa é a Patrocinadora Oficial do Atletismo Brasileiro.

Share