Ádria Santos estreia nos Jogos Paralímpicos Universitários em nova fase na carreira

10 d Maio d 2018 às 7:48 pm
 Ádria Santos, maior medalhista paralímpica brasileira, competiu nesta quinta-feira, 10, nos Jogos Paralímpicos Universitários, em São Paulo.

Ádria Santos

Acostumada a conquistas – foram 13 ao longo dos seis Jogos Paralímpicos em que esteve -, a mineira de Nanuque tem agora outro objetivo: manter-se ativa e saudável. Sua nova meta passa nesta semana pelo CT Paralímpico, onde disputa provas de campo (lançamento de disco e arremesso de peso) e 1.500m, bem diferentes dos velozes sprints que a consagraram no passado.
 
O CT Paralímpico recebe até esta sexta-feira, 11, 252 competidores, com cerca de 200 instituições de ensino, de 24 estados e o Distrito Federal, representadas. O evento tem a presença de atletas universitários de sete modalidades: atletismo, bocha, judô, natação, parabadminton, tênis de mesa e tênis em cadeira de rodas.
 
Esta é a terceira competição de Ádria em 2018, depois de quase um ano e meio fora das pistas. Com a nova rotina de estudante universitária de Educação Física, na Universidade UniSociesc, de Joinville (SC), manter o ritmo de atividades físicas passou a ser difícil, o que fez com que ela tivesse que diminuir por completo todos os treinamentos.
 
“Desde que parei de competir, em 2013, ainda continuei participando de algumas corridas de rua, e há um ano e meio mais ou menos eu parei tudo, me dediquei mais à faculdade e não às atividades físicas. Isso me fez subir de peso. Até que, no fim do ano passado, participei de uma edição dos Jogos Universitários de Santa Catarina convencional e isso, junto à vontade de voltar ao peso que tinha, acabou me motivando a voltar as atividades”, disse Ádria, de 43 anos.
 
Nesta quinta, ela venceu o lançamento de disco F11 (para deficientes visuais), com a marca de 15,88m. Ádria ainda compete nos Jogos Paralímpicos Universitários 2018 nesta sexta-feira nas provas de 1.500m e arremesso de peso.
 
“Aqui eu espero melhorar minhas marcas, porque cada dia que passa eu estou aprendendo mais. O lançamento disco é uma prova que precisa de técnica, e para mim, que estou aprendendo, está sendo um desafio. Estou saindo das disputas que competia, de velocidade, e indo para o campo, onde não tinha noção nenhuma”, completou.
 
Natural de Nanuque, Minas Gerais, Ádria perdeu a visão aos poucos por causa de uma retinose pigmentar, doença degenerativa que a deixaria completamente cega aos 20 anos. Sua primeira participação em Jogos Paralímpicos foi em Seul 1988, com duas medalhas de prata, nos 100m e 400m (T11). Em 2008, nos Jogos de Pequim, ela fez sua última atuação paralímpica e faturou um bronze nos 100m.
 
Outras medalhistas paralímpicos também participam
 

Velocistas paralímpicos em ação

Sete medalhistas paralímpicos estão entre os 252 atletas que participam dos Jogos Paralímpicos Universitários 2018 a partir de hoje,dia 10. O evento ocorrerá até sexta-feira, 11, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. Os estudantes de todo o Brasil disputarão sete modalidades: atletismo, bocha, judô, natação, parabadminton, tênis de mesa e tênis em cadeira de rodas. A cerimônia de abertura está marcada para esta quarta-feira, 9, às 18h, no CT.
 
Um dos medalhistas paralímpicos que estarão em ação é Alessandro Silva, ouro no lançamento de disco F11 nos Jogos do Rio 2016. O estudante, natural de Santo André (SP), ficou cego devido à manifestação de uma toxoplasmose, em 2009. Aos 33 anos, o atleta faz o curso de Educação Física na Universidade de Taubaté (UNITAU).
 
Além dele, e Ádria , a potiguar Thalita Simplício, os fluminenses Wanderson Oliveira e Fábio Bordignon (atletismo), a carioca Karla Cardoso e a mineira Deanne Almeida (judô) integram o time de atletas que já subiram ao pódio em uma Paralimpíada e que competirá nos Universitários nesta semana.
 
“Vejo nos Jogos Universitários, além de uma chance a mais para melhorar marcas, uma nova oportunidade para quem está fazendo faculdade conviver com outros atletas. Também é importante para divulgar, nas universidades, o Movimento Paralímpico, até mesmo para os estudantes com deficiência, porque poucos conhecem o esporte e, quem sabe um dia, eles disputem o alto rendimento”, comentou Alessandro, que disputará o arremesso de peso e o lançamento de disco nos Jogos Universitários.
 
Fábio Bordignon, 25, também subiu ao pódio nos Jogos do Rio 2016. O fluminense de Duque de Caxias levou a medalha de prata nos 100m, classe T35. Por falta de oxigenação no cérebro durante o parto, o atleta tem o movimento de suas pernas e do braço esquerdo afetados. Antes de ingressar no atletismo, Fábio foi jogador de futebol de 7 e integrou a Seleção que foi para os Jogos de Londres 2012.
 
“Esse evento é uma maneira de premiar os estudantes que são atletas e que treinam com o apoio da faculdade, fisioterapeutas e treinadores em busca de elevar seu nível esportivo. Outro ponto é que atende aqueles que ainda não podem participar de etapas nacionais do Circuito Loterias Caixa e do Open Internacional, que são de alto rendimento”, disse Fábio, estudante de Nutrição da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). Nos Jogos Universitários, o carioca correrá os 100m, 200m e 400m.
 
Os Jogos Paralímpicos Universitários são organizados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, em parceria com a Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e o Ministério do Esporte, com apoio do Governo do Estado de São Paulo e do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF).
 
Serviço 
Jogos Paralímpicos Universitários
Data: 10 a 11 de maio
Horários: 
Atletismo (10 e 11) – 8h às 12h
Bocha (10 e 11) – 8h às 18h
Judô (11) – 8h às 12h
Natação (10 e 11) – 14h às 18h
Parabadminton (10 e 11) – 8h às 18h
Tênis de mesa (10 e 11) – 8h às 12h
Tênis em CR (10 e 11) – 8h às 18h
Local: CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo – Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 (ao lado do São Paulo Expo)
 
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