Daniel Martins é ouro nos 400m em Lima 2019 e mantém invencibilidade de 4 anos

28 d agosto d 2019 às 3:17 pm

O velocista Daniel Martins foi campeão nos 400m da classe T20 (deficientes intelectuais), no início da noite desta terça-feira, 27, no Estádio de Atletismo da Videna (Vila Deportiva Nacional). Este triunfo contribuiu para que o Brasil concluísse o quarto dia de Jogos Parapan-Americanos em Lima com 58 ouros, de um total 159 medalhas. Nesta conta também estão 53 de prata e 48 de bronze.

Daniel Martins foi campeão nos 400m da classe T20 (deficientes intelectuais)

Desde o primeiro dia de competição o Brasil está isolado na liderança. O adversário mais próximo são os Estados Unidos, segundos colocados, com 41 ouros entre as 108 medalhas. Para efeito de comparação, os americanos já somaram nos primeiros quatro dias, o total de ouros que amealhou em toda a campanha de Toronto 2015. A delegação dos Estados está com 257 representantes, enquanto que o Brasil tem 337 atletas. 

Esta terça-feira, 27, foi o penúltimo dia de provas do atletismo e o grande nome foi Daniel Martins. Seu ouro veio com o tempo de em 47s58. A prata foi para o equatoriano Anderson Colorado (47s96), acompanhado do venezuelano Luís Bolívar (49s01). 

Danielzinho, como é comumente chamado, é deficiente intelectual, descobriu o esporte paralímpico em 2013. Desde que tornou-se atleta de alto rendimento, em 2015, ganhou todas as provas que disputou nos 400m. Foi bicampeão mundial em 2015, em Doha, Catar, e em 2017, em Londres, campeão paralímpico no Rio 2016, e em abril de 2019 estabeleceu novo recorde mundial da classe T20 para a distância, com 46s86. Esta marca é uma das melhores do Brasil num hipotético ranking entre atletas olímpicos e paralímpicos. 

Nestes quatro anos, contudo, Danielzinho perdeu a janela para disputar o Parapan de Toronto, há quatro anos. Lima marcou sua estreia. Apesar do espetacular retrospecto internacional, foi difícil segurar a ansiedade pela medalha inédita em sua galeria. 

“Estava muito ansioso, com muito frio na barriga. A psicóloga do CPB fez um trabalho comigo para eu dormir mais cedo, e eu consegui. Graças a Deus veio esta medalha, e era a que faltava na minha coleção: campeão Parapan-Americano”, comemorou o atleta de Marília, São Paulo.

Outro ouro marcante do atletismo nesta terça-feira, 27, veio do sul-matogrossense Yeltsin Jacques da classe T12 (baixa visão). Ele foi o melhor nos 1.500m com um sprint nos últimos 50 metros. Finalizou a distância em 4min03s05, somente 17 centésimos à frente do americano Joel Gomez.  “Quando cruzei a linha de chegada, não sabia se tinha vencido, tive que perguntar. Sabia que tinha feito uma boa prova e minha chegada é meu forte”, comentou Yeltsin, de 27 anos. 

O fluminense Fábio Bordignon conquistou a medalha de ouro nos 100m da classe T35 (paralisados cerebrais). Ele cruzou a linha de chegada em 12s72, apenas 12 centésimos à frente do argentino Hernan Barreto, segundo colocado, e estabeleceu novo recorde da competição. No feminino, Tascitha Oliveira (T36), Verônica Hipólito (T37), foram prata na mesma prova em suas respectivas classes. Mateus Evangelista foi prata no salto em distância (6m02), atrás apenas do argentino Brian Impelizzeri (6m21). André Rocha foi bronze no peso (F53/54). Rodrigo Parreira ficou com a prata nos 100m T36. Leylane Moura (F33) também foi prata no peso na sua classe. 

Os dois últimos ouros da noite de terça-feira no Parapan foram de responsabilidades de dois representantes da Paraíba. Cícero Valdiran (F57) lançou o dardo a 44m65 e sagrou-se campeão com novo recorde da competição. Nesta mesma prova, o mineiro Claudiney Batista, recordista mundial, terminou em quarto. 

Já Ariosvaldo Ferreira, o Parré, foi o mais rápido nos 100m da classe T54 (cadeirantes), com o tempo de 15s44. Ele acumula dois ouros: fora o melhor nos 400m na noite de segunda-feira, 26. 

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